Alimentação Saudável: Da Casa para a Escola

Por:  Roberta Quintiliano – Nutricionista Nova Escola

GUIA ALIMENTAR – CLASSIFICANDO OS ALIMENTOS

O Brasil vem enfrentando aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade em todas as faixas etárias, e as doenças crônicas são a principal causa de morte entre adultos. O excesso de peso acomete um em cada dois adultos e uma em cada três crianças brasileiras.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2006, apresentou as primeiras diretrizes alimentares oficiais para a nossa população. Diante das transformações sociais vivenciadas pela sociedade, que impactaram sobre suas condições de saúde e nutrição, fez se necessária a apresentação de novas recomendações. A segunda edição do guia de 2014 veio renovada e ainda mais adaptada.

Com esse guia podemos tirar várias dúvidas sobre quais alimentos escolher, quais são mais saudáveis e principalmente, rompe as barreiras de que uma alimentação saudável precisa ser restritiva.

Reformula-se a ideia de como é um prato saudável, como escolher porções adequadas e traz também 10 passos para uma alimentação saudável na prática. Compilarei nos próximos textos algumas dicas e definições importantes para aplicarmos no dia a dia familiar.

Hoje falaremos sobre uma nova forma de classificar os alimentos, muito além da antiga Pirâmide dos Alimentos, atualmente com mais tecnologia, cada dia temos no mercado novos alimentos que farão parte da nossa rotina. Criar uma nova classificação dos alimentos que analise os ingredientes e o processamento foi imprescindível para termos escolhas assertivas.

Classificação dos alimentos segundo o processamento

O tipo de processamento empregado na produção deles condiciona o perfil de nutrientes, o gosto e o sabor que agregam à alimentação, além de influenciar com quais outros alimentos serão consumidos, em quais circunstâncias (quando, onde, com quem) e, mesmo, em que quantidade.

Alimentos in natura ou minimamente processados

Faça de alimentos in natura ou minimamente processados a base para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa e culturalmente apropriada.

Alimentos in natura são obtidos diretamente de plantas ou de animais (como folhas e frutos ou ovos e leite) e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza.

Alimentos minimamente processados são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas. Exemplos incluem grãos secos, polidos e empacotados ou moídos na forma de farinhas, raízes e tubérculos lavados, cortes de carne resfriados ou congelados e leite pasteurizado. Corresponde a produtos extraídos de alimentos in natura ou diretamente da natureza e usados pelas pessoas para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Exemplos desses produtos são: óleos, gorduras, açúcar e sal.

Alimentos processados

Limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados. Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados – como conservas de legumes, compota de frutas, queijos e pães – alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam.

Essa categoria corresponde a produtos fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar a um alimento in natura ou minimamente processado.

Alimentos ultra processados

Evite alimentos ultra processados devido a seus ingredientes, alimentos como biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”, são nutricionalmente desbalanceados e vilões de uma alimentação saudável.

A fabricação de alimentos ultra processados, feita em geral por indústrias de grande porte, envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos e gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial.

Uma forma prática de distinguir alimentos ultra processados de alimentos processados é consultar a lista de ingredientes que, por lei, deve constar nos rótulos de alimentos embalados que possuem mais de um ingrediente. Evite um número elevado de ingredientes (frequentemente cinco ou mais) e, sobretudo, a presença de ingredientes com nomes pouco familiares e não usados em preparações culinárias.

Diferentemente dos alimentos processados, a imensa maioria dos ultra processados é consumida, ao longo do dia, substituindo alimentos como frutas, leite e água ou, nas refeições principais, no lugar de preparações culinárias. Portanto, alimentos ultra processados tendem a limitar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados.

A regra de ouro é: prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultra processados.

Ou seja: opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados; não troque comida feita na hora (caldos, sopas, saladas, molhos, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culinária (sopas “de pacote”, macarrão “instantâneo”, pratos congelados prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, maioneses e molhos industrializados, misturas prontas para tortas); e fique com sobremesas caseiras, dispensando as industrializadas.

Até o próximo texto e espero ter ajudado a trazer um pouco mais de saúde e bem estar pra sua casa, contem com a nutri!

 

Fontes

  • Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
  • Acesso em 14 de junho de 2022: <http://blog.saude.mg.gov.br/2016/04/08/saudenacozinha-alimentos-e- processamento-entenda-a-diferenca/>