A metodologia de Emmi Pikler

Se trata de uma abordagem que promove o desenvolvimento infantil através dos princípios de valorização entre o cuidador e o bebê. Isso acontece através do respeito as suas características, a liberdade de movimento, brincar ao ar livre e respeito ao tempo e espaço, sendo tudo isso necessário para seu desenvolvimento. É possível identificar quatro dimensões presentes nesse conteúdo, que nos ajudam a entender essa relação, começando pela terra que se trata de uma dimensão física, material, representada pelo imóvel, pelas instalações e equipamentos utilizados. Pode ser observada na organização do espaço físico para o banho, para a alimentação, o brincar e o sono. O ambiente precisa ser amplo o bastante para que os bebês tenham espaço para se movimentar livremente desenvolvendo suas capacidades motoras enquanto brincam. Os espaços devem ser aconchegantes e seguros (cercados) e o piso quente, para que as crianças se locomovam com liberdade e possam interagir com seus pares.

A partir de 3 meses, os bebês ficam nos berços apenas enquanto dormem ou repousam. Quando despertos, ficam na sala ou ao ar livre, rodeados de objetos simples e variados, com os quais possam brincar de maneira autônoma. É preciso que os brinquedos estejam a uma distância acessível para que eles possam alcançá-los com as suas mãos. Eles não devem estar suspensos ou fixados. O educador organiza e transforma o espaço para facilitar uma atividade variada, sempre iniciada pela própria criança, sem interferir diretamente em suas brincadeiras ou em seus movimentos. As roupas utilizadas pelos bebês devem ser confortáveis facilitando os movimentos.

A alimentação é oferecida individualmente em um espaço reservado, enquanto a criança ainda não se senta sozinha, ela será alimentada no colo do(a) educador(a). Depois que a criança passa a se sentar sozinha, ela será acomodada em uma mesa e cadeira fixa. E só depois de aprender a se alimentar sozinha, ela irá passar a se alimentar junto com os seus pares, sentada a uma mesa.

A saúde física dos bebês e crianças recebe uma atenção especial, pois é a base necessária para o pleno desenvolvimento infantil.

A Segunda dimensão na Abordagem Pikleriana é representada pelo elemento água que significa os processos que fluem diariamente no tempo, isto é, a metodologia de cuidados, a técnica e procedimentos utilizados nos cuidados diários, no banho, na troca de fraldas, na alimentação e no preparo para o sono. Cabe ao cuidador estabelecer uma rotina que respeite o ritmo individual da criança, ao mesmo tempo em que lhe dá continência, segurança afetiva e garanta um desenvolvimento físico saudável. Quando se estabelece horário para o banho, para as refeições, para o sono, a criança se acostuma com este ritmo, sentindo-se mais segura, isso proporciona segurança e confiança ao bebê e tranquilidade para o cuidador.

O banho deve ser preparado com antecedência, deixando todo o material necessário disponível e organizado, esta preparação também faz parte da rotina. Na Abordagem Emmi Pikler há uma técnica específica de banho que começa no trocador com algodão e óleo. Todo o corpo do bebê é limpo primeiro com óleo, depois com uma luva macia o bebê é ensaboado e posteriormente colocado na banheira para se retirar o sabão. A educadora volta para o trocador com o bebê para enxugá-lo e vesti-lo.

Cabe a educadora fazer anotações sobre o desenvolvimento de cada criança, observando o desenvolvimento motor, intelectual, da fala e as atitudes durante os cuidados, estas anotações diárias podem ser analisadas posteriormente.

O número e o ritmo das reuniões com os pais também fazem parte desta dimensão, faz parte dos processos realizados dentro da instituição ou escola.

A terceira dimensão na Abordagem Pikleriana é representada pelo elemento ar que trata da atmosfera das relações.

Os gregos tinham duas palavras para designar o tempo, uma era Cronos (o senhor do tempo), o tempo cronológico medido pelo relógio, o tempo quantitativo; e o outra era Kairós, o tempo vivido, o tempo das relações, o tempo qualitativo.

A valorização do cuidado, a atenção e o tempo necessário para desenvolver vínculos saudáveis e de confiança entre os bebês e os adultos.

Ao nascer o bebê ainda se sente parte da mãe, não tem noção da sua individualidade e precisa de um adulto de referência que garanta a sua sobrevivência e valorize a sua existência dando a ele um nome e oferecendo os cuidados adequados. Deste modo, ele pode formar através dos seus sentidos e do seu desenvolvimento motor uma primeira imagem de si mesmo, conquistando a possibilidade de identificar-se como um ser diferente da mãe ou cuidadora, um indivíduo.

É durante os cuidados cotidianos que a mãe ou o cuidador se relaciona com o bebê. Tem início um diálogo através de sinais não verbais, por parte do bebê, que estabelece contato visual e respostas através de gestos, relaxamento ou tensão a cada ação ou estímulo recebido.

O adulto informando o que será feito durante os cuidados e buscando uma resposta a cada interação estará convidando o bebê a participar. Estimulando a autonomia desde muito cedo contando sempre com a participação possível do bebê em cada fase. Ajudando na formação da sua consciência corporal ao nomear as partes do corpo do bebê que forem tocadas. E colaborando para a compreensão e aquisição da fala.

É o contato entre o adulto e a criança que proporciona a aprendizagem da cultura e desenvolve a capacidade de se relacionar, a socialização.

“Como é diferente a imagem do mundo que uma criança recebe quando mãos silenciosas, pacientes, cuidadosas e ainda seguras e resolutas cuidam dela; e como diferente o mundo parece ser quando estas mãos são impacientes, rudes, apressadas, inquietas e nervosas.” Emmi Pikler.

O Sol trata da identidade essencial da abordagem que aquece e fortifica, dando sentido e significado a todas as outras dimensões.

A Abordagem Pikler-Lóczy tem como um dos seus valores fundamentais o profundo respeito pela individualidade humana e o reconhecimento de que “toda criança é boa e competente”.

Sua missão é promover o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional, social e ético; o pleno desenvolvimento infantil.

Enfim a terra significa os espaços físicos, materiais e equipamentos necessários para o desenvolvimento da abordagem, são a base necessária, o leito do rio em que a água corre. A água são os processos (banho, troca de fraldas, alimentação e sono) que fluem, organizados ritmicamente no tempo. O ar é a atmosfera, a disposição, o envolvimento, a presença e a atenção com que as atividades são desenvolvidas formando o ambiente das relações entre todos os presentes na instituição. E o sol (o fogo) é o que dá sentido e significado ao trabalho realizado, a visão que se tem da criança e a compreensão do desenvolvimento humano que é confirmada e retroalimentada pela própria atuação, através dos resultados positivos do trabalho realizado.

 

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